Entrevista de Hugo Olival ao Jornal da Madeira


“O dinheiro não pode falar mais alto”
Presidente do Conselho Regional da Madeira da Ordem dos Biólogos quer medidas concretas de preservação do ambiente e diz ser fundamental limitar determinados percursos na natureza para mitigar o impacto do ruído na biodiversidade.
Hugo Miguel Andrade Pereira Olival foi eleito, no passado dia 25 de Setembro, presidente do Conselho Regional da Madeira da Ordem dos Biólogos. A nova equipa reúne biólogos de diferentes áreas, da educação e investigação à conservação da natureza. Hugo Olival apontou o reforço da participação dos profissionais como uma das condições para dar um novo impulso à delegação regional. Aumentar o número de membros e aproximá-los da vida da instituição é, para o novo presidente do Conselho Regional, uma prioridade de modo a dar maior visibilidade ao trabalho dos biólogos. Outro objetivo é reforçar a participação da Ordem nas decisões regionais que beneficiem do conhecimento científico dos seus membros, em particular nas áreas do ambiente e da biodiversidade. Natural de Santo António, Hugo Olival é gestor de Produção e Qualidade do Ovo Girão e sócio-gerente da Pereira & Olival Lda. Licenciado em Biologia Aplicada pela Universidade do Minho, tem 36 anos, é casado, pai de uma menina e com um rapaz a caminho.
2 de outubro de 2026
Por Carla Sousa
A Ordem dos Biólogos não deveria ter um papel mais interventivo nas decisões políticas de uma terra como a nossa, que tem uma biodiversidade única no mundo?
Eu acho que a Ordem dos Biólogos tem de ser chamada, pelas entidades públicas e governamentais, a dar o seu parecer em determinados assuntos. Há muitos assuntos que estão em voga e que carecem de uma análise científica, uma opinião fundamentada em factos, em estudos, para que as decisões sejam tomadas da maneira mais viável. Nós vivemos numa ilha com uma biodiversidade extrema e é importante nós tomarmos decisões pensando no futuro e nas consequências daquilo que estamos a fazer.
Há decisões que são tomadas, nomeadamente pelo poder político, que não passam por uma audição prévia aos entendidos na matéria?
Eu acredito que eles consultem especialistas na matéria. O importante é que essa consulta seja isenta de interesses políticos, de concursos partidários, e a Ordem dos Biólogos consegue dar essa resposta porque é um organismo que não tem ligações políticas, que se baseia no conhecimento científico, nos factos científicos e assim pode fornecer uma visão mais ampla, reunindo diferentes especialistas de várias áreas para que as decisões sejam tomadas de uma maneira mais consciente.
A Madeira está preparada para as alterações climáticas?
Eu acredito que não. Eu acredito que ninguém no mundo está preparado para isso. Nós temos de mudar a maneira como vivemos, mudar a maneira como olhamos para a natureza e temos de começar a tomar pequenas medidas, juntamente com as grandes medidas, que alguns governos já têm tomado, mas reforçar, porque as alterações climáticas vão mudar por completo a nossa biodiversidade, a nossa agricultura, que impacta diretamente o nosso bolso, e o nosso modo de vida.
Eu acho que a Ordem dos Biólogos tem de ser chamada, pelas entidades públicas e governamentais, a dar o seu parecer em determinados assuntos. Há muitos assuntos que estão em voga e que carecem de uma análise científica, uma opinião fundamentada em factos, em estudos, para que as decisões sejam tomadas da maneira mais viável. Nós vivemos numa ilha com uma biodiversidade extrema e é importante nós tomarmos decisões pensando no futuro e nas consequências daquilo que estamos a fazer.
Há decisões que são tomadas, nomeadamente pelo poder político, que não passam por uma audição prévia aos entendidos na matéria?
Eu acredito que eles consultem especialistas na matéria. O importante é que essa consulta seja isenta de interesses políticos, de concursos partidários, e a Ordem dos Biólogos consegue dar essa resposta porque é um organismo que não tem ligações políticas, que se baseia no conhecimento científico, nos factos científicos e assim pode fornecer uma visão mais ampla, reunindo diferentes especialistas de várias áreas para que as decisões sejam tomadas de uma maneira mais consciente.
A Madeira está preparada para as alterações climáticas?
Eu acredito que não. Eu acredito que ninguém no mundo está preparado para isso. Nós temos de mudar a maneira como vivemos, mudar a maneira como olhamos para a natureza e temos de começar a tomar pequenas medidas, juntamente com as grandes medidas, que alguns governos já têm tomado, mas reforçar, porque as alterações climáticas vão mudar por completo a nossa biodiversidade, a nossa agricultura, que impacta diretamente o nosso bolso, e o nosso modo de vida.
Que tipo de medidas deveriam ser tomadas no imediato?
Não há uma receita perfeita. Nós temos de observar, analisar e, com o conhecimento de especialistas de várias áreas, desde a conservação da natureza, o ambiente, a biotecnologia e com o desenvolvimento científico tentar mitigar estas alterações. E, claro, cada pessoa tem de fazer o seu papel.
Qual a sua posição em relação ao turismo e à pressão que tem existido em zonas que deveriam ser preservadas?
O turismo faz parte da nossa economia e é um fator importante. Eu acho que o Governo também tem tomado algumas medidas para mitigar determinados exageros. Mas considero que os fundos que são arrecadados nas levadas, nos passeios, deviam ser investidos na proteção do ambiente, não só na conservação das veredas, mas também na área envolvente. Porque o turista, se chegar e ver uma paisagem desértica, não tem interesse. Ele vem para ver a natureza, para estar no meio da natureza. E é importante conservá-la. É fundamental limitar um pouco mais, em determinados percursos, o número de pessoas a circular para mitigar o impacto do ruído na biodiversidade, nos animais, nas aves que ali vivem.
Deveria haver áreas restritas?
Tem de haver áreas restritas, precisamente para conservar os percursos que já existem. Eu sou da opinião que devemos mantê-lo com determinadas regras e determinadas medidas. Em relação a outras áreas, eu acho que é obrigatório manter determinados nichos para conservação. Por exemplo, no caso das Desertas. Se nós permitirmos que o turismo suba e que ande em qualquer zona das Desertas, sendo uma área protegida de grande interesse, é grave, para a nossa Região e também para os animais que lá vivem, nomeadamente o lobo-marinho. É também importante fazer a educação ambiental, educar os turistas, educar a população regional, de que aquelas áreas são importantes manter e que há limites que têm que ser respeitados.
Além das Desertas, aponta alguma outra área que tenha de ser conservada?
Sim, há áreas que nós devemos conservar, nomeadamente no nosso maciço central. Mas também temos a Reserva do Garajau, que também é uma área protegida e que deve ser conservada e que, se calhar, deve ser até mais estudada, apesar de já haver alguns estudos e muitas pessoas a trabalhar nessa reserva. Se calhar, como fica mais perto da costa e numa zona marítima muito mais movimentada, deveria ter uma outra atenção.
Não há uma receita perfeita. Nós temos de observar, analisar e, com o conhecimento de especialistas de várias áreas, desde a conservação da natureza, o ambiente, a biotecnologia e com o desenvolvimento científico tentar mitigar estas alterações. E, claro, cada pessoa tem de fazer o seu papel.
Qual a sua posição em relação ao turismo e à pressão que tem existido em zonas que deveriam ser preservadas?
O turismo faz parte da nossa economia e é um fator importante. Eu acho que o Governo também tem tomado algumas medidas para mitigar determinados exageros. Mas considero que os fundos que são arrecadados nas levadas, nos passeios, deviam ser investidos na proteção do ambiente, não só na conservação das veredas, mas também na área envolvente. Porque o turista, se chegar e ver uma paisagem desértica, não tem interesse. Ele vem para ver a natureza, para estar no meio da natureza. E é importante conservá-la. É fundamental limitar um pouco mais, em determinados percursos, o número de pessoas a circular para mitigar o impacto do ruído na biodiversidade, nos animais, nas aves que ali vivem.
Deveria haver áreas restritas?
Tem de haver áreas restritas, precisamente para conservar os percursos que já existem. Eu sou da opinião que devemos mantê-lo com determinadas regras e determinadas medidas. Em relação a outras áreas, eu acho que é obrigatório manter determinados nichos para conservação. Por exemplo, no caso das Desertas. Se nós permitirmos que o turismo suba e que ande em qualquer zona das Desertas, sendo uma área protegida de grande interesse, é grave, para a nossa Região e também para os animais que lá vivem, nomeadamente o lobo-marinho. É também importante fazer a educação ambiental, educar os turistas, educar a população regional, de que aquelas áreas são importantes manter e que há limites que têm que ser respeitados.
Além das Desertas, aponta alguma outra área que tenha de ser conservada?
Sim, há áreas que nós devemos conservar, nomeadamente no nosso maciço central. Mas também temos a Reserva do Garajau, que também é uma área protegida e que deve ser conservada e que, se calhar, deve ser até mais estudada, apesar de já haver alguns estudos e muitas pessoas a trabalhar nessa reserva. Se calhar, como fica mais perto da costa e numa zona marítima muito mais movimentada, deveria ter uma outra atenção.
“O nosso bem-estar é importante, mas não deve prevalecer sobre o bem-estar do planeta.”
Estamos a falar de áreas que, por norma, são as mais apetecíveis, nomeadamente para os turistas.
O dinheiro não pode falar mais alto, porque eu posso ter agora um grande volume de dinheiro porque estou a receber muitos turistas, mas depois, se eu acabar com aquela área, ela deixa de ter interesse e eu perdi a possibilidade de rentabilizar aquele espaço de maneira ambientalmente consciente.
O Porto Santo está cada vez menos verde. Porquê?
O Porto Santo fica numa zona onde o clima também é um pouco próprio. É uma zona mais árida, com mais influência de África. Mas tem a sua biodiversidade. Tem animais que vivem ali, tem peixes, tem répteis, também tem plantas muito específicas. E eu acho que o Porto Santo tem a sua beleza e é preciso desenvolvê-lo ainda mais. Há muita gente que trabalha no Porto Santo, na parte da biodiversidade e na conservação da natureza, mas há mais coisas a fazer.
O que é que está a falhar?
Se calhar o investimento público, porque também, sem investimento, sem haver a possibilidade de os biólogos terem financiamento para trabalhar, não é possível.
Com a sua liderança, os biólogos passarão a ser mais interventivos, mais reconhecidos?
À minha volta, tenho uma equipa fantástica de pessoas de diferentes áreas, desde a educação, ao ambiente, à conservação da natureza, à produção animal, à qualidade. O trabalho não depende só do presidente. Há toda uma equipa que trabalha, que abdica do seu tempo e que tem sido incansável e eu acredito que se mantenha assim, durante os próximos três anos de mandato. E o nosso objetivo é exatamente esse.
Sabemos que existe crise na habitação, mas para construirmos casas é preciso abdicar de outras coisas. Onde está o fiel da balança?
Está no equilíbrio. Eu acredito que esteja no equilíbrio, porque eu posso construir uma habitação, existem regras na construção, nomeadamente nos índices de construção de determinadas áreas, que estão descritos nos PDM, mas eu acredito que a construção é possível no equilíbrio. E preferencialmente em zonas onde há uma maior biodiversidade, onde temos de conservar mais a natureza, se calhar optar por uma construção mais ecológica. E agora está na moda aquelas casas pré-fabricadas. Podemos apostar em materiais mais ecológicos, mais amigos do ambiente e que se integrem na zona, na envolvência onde vão ser construídas.
Não há consenso em relação às construções pré-fabricadas, inclusive há Ordens que são contra esse tipo de estruturas…
Eu não percebo nada de construção, não percebo nada de engenharia. Acredito que uma casa pré-fabricada tenha as suas limitações, até de segurança e prevenção de incêndios e todas aquelas questões que são levantadas legalmente pelos engenheiros e pelos arquitetos. Mas eu acho que, tendo em conta o avanço tecnológico, tendo em conta que estamos na era da inteligência artificial e que há desenvolvimentos todos os dias, novos materiais, novas ferramentas, eu acho que é possível nós chegarmos a um ponto que não será perfeito, mas que estará muito perto do equilíbrio.
Em relação à orla costeira. Qual a sua posição quanto aos esgotos e às ETAR.
Pois, isso é outro ponto bastante sensível, porque se nós não tomarmos consciência do impacto que as descargas para o oceano têm na biodiversidade marinha, nós rapidamente vamos perder acesso à biodiversidade que temos e que os biólogos tanto tentam manter. Muitas vezes eu acho que as pessoas não reagem de má-fé. Eu acho que é mesmo falta de conhecimento. E se nós explicarmos que as coisas estão ligadas, que ao destruir determinada zona eu vou ficar impedido de obter retorno, ou pescar o peixe, e isso faz encarecer o preço, talvez haja mais consciência. Eu acho que é isso que falta à sociedade: mais educação ambiental.
O dinheiro não pode falar mais alto, porque eu posso ter agora um grande volume de dinheiro porque estou a receber muitos turistas, mas depois, se eu acabar com aquela área, ela deixa de ter interesse e eu perdi a possibilidade de rentabilizar aquele espaço de maneira ambientalmente consciente.
O Porto Santo está cada vez menos verde. Porquê?
O Porto Santo fica numa zona onde o clima também é um pouco próprio. É uma zona mais árida, com mais influência de África. Mas tem a sua biodiversidade. Tem animais que vivem ali, tem peixes, tem répteis, também tem plantas muito específicas. E eu acho que o Porto Santo tem a sua beleza e é preciso desenvolvê-lo ainda mais. Há muita gente que trabalha no Porto Santo, na parte da biodiversidade e na conservação da natureza, mas há mais coisas a fazer.
O que é que está a falhar?
Se calhar o investimento público, porque também, sem investimento, sem haver a possibilidade de os biólogos terem financiamento para trabalhar, não é possível.
Com a sua liderança, os biólogos passarão a ser mais interventivos, mais reconhecidos?
À minha volta, tenho uma equipa fantástica de pessoas de diferentes áreas, desde a educação, ao ambiente, à conservação da natureza, à produção animal, à qualidade. O trabalho não depende só do presidente. Há toda uma equipa que trabalha, que abdica do seu tempo e que tem sido incansável e eu acredito que se mantenha assim, durante os próximos três anos de mandato. E o nosso objetivo é exatamente esse.
Sabemos que existe crise na habitação, mas para construirmos casas é preciso abdicar de outras coisas. Onde está o fiel da balança?
Está no equilíbrio. Eu acredito que esteja no equilíbrio, porque eu posso construir uma habitação, existem regras na construção, nomeadamente nos índices de construção de determinadas áreas, que estão descritos nos PDM, mas eu acredito que a construção é possível no equilíbrio. E preferencialmente em zonas onde há uma maior biodiversidade, onde temos de conservar mais a natureza, se calhar optar por uma construção mais ecológica. E agora está na moda aquelas casas pré-fabricadas. Podemos apostar em materiais mais ecológicos, mais amigos do ambiente e que se integrem na zona, na envolvência onde vão ser construídas.
Não há consenso em relação às construções pré-fabricadas, inclusive há Ordens que são contra esse tipo de estruturas…
Eu não percebo nada de construção, não percebo nada de engenharia. Acredito que uma casa pré-fabricada tenha as suas limitações, até de segurança e prevenção de incêndios e todas aquelas questões que são levantadas legalmente pelos engenheiros e pelos arquitetos. Mas eu acho que, tendo em conta o avanço tecnológico, tendo em conta que estamos na era da inteligência artificial e que há desenvolvimentos todos os dias, novos materiais, novas ferramentas, eu acho que é possível nós chegarmos a um ponto que não será perfeito, mas que estará muito perto do equilíbrio.
Em relação à orla costeira. Qual a sua posição quanto aos esgotos e às ETAR.
Pois, isso é outro ponto bastante sensível, porque se nós não tomarmos consciência do impacto que as descargas para o oceano têm na biodiversidade marinha, nós rapidamente vamos perder acesso à biodiversidade que temos e que os biólogos tanto tentam manter. Muitas vezes eu acho que as pessoas não reagem de má-fé. Eu acho que é mesmo falta de conhecimento. E se nós explicarmos que as coisas estão ligadas, que ao destruir determinada zona eu vou ficar impedido de obter retorno, ou pescar o peixe, e isso faz encarecer o preço, talvez haja mais consciência. Eu acho que é isso que falta à sociedade: mais educação ambiental.
Queremos aproximar os membros, dar formação e também criar atividades onde seja possível a partilha de ideias entre pessoas de várias áreas... ...acima de tudo mostrar que a Ordem está ativa, que a Ordem é importante na sociedade e que o nosso trabalho é imprescindível para a sobrevivência da espécie humana e das outras espécies.
Quantos profissionais estão inscritos na Ordem?
Os últimos registos apontavam para 200 e pouco. No ativo, com situação regular perante a Ordem, temos 53. O nosso objetivo é captar as pessoas que se afastaram por algum motivo, que deixaram de ver na Ordem uma necessidade e uma mais-valia, captar essas pessoas, mostrar que sem elas nós somos fracos e com elas somos fortes.
Qual a marca que quer deixar neste seu primeiro mandato?
O nosso objetivo final é quando nós terminarmos o mandato termos mais membros registados na nossa Ordem, mais profissionais com o seu trabalho reconhecido pela Ordem. Nós pretendemos fazer mais ações formativas, workshops, fazer também formações na área da biodiversidade e conservação do ambiente. Queremos aproximar os membros, dar formação e também criar atividades onde seja possível a partilha de ideias entre pessoas de várias áreas, onde se possa também debater com outras Ordens determinados assuntos que são muito importantes para a sociedade civil e acima de tudo mostrar que a Ordem está ativa, que a Ordem é importante na sociedade e que o nosso trabalho é imprescindível para a sobrevivência da espécie humana e das outras espécies.
Está disposto a ir até onde para preservar o ambiente?
Vamo-nos debater com determinadas questões, eu acredito que algumas delas difíceis e vamos debater sobre os assuntos tendo sempre em consideração factos científicos e conhecimento especializado.
Já fez algum levantamento em relação a algumas situações críticas?
Não. Nós vamos começar a reunir este mês para começar a debater esses assuntos.
A mobilidade insere-se nesses assuntos a debater, tendo em conta o excesso de carros que circulam nas nossas estradas?
Sem dúvida, mesmo sabendo que não há soluções perfeitas. É a questão de encontrarmos o equilíbrio entre o ser humano e a natureza.
Um metro de superfície era uma solução viável?
Nunca pensei nessa ideia, mas acho que seria interessante até para a deslocação entre as pontas este e oeste da ilha, sendo que há muita população que trabalha no Funchal e que vive fora do Funchal. Agora, o impacto dessa construção ambiental é que tinha de ser bem estudado. Uma vez mais, é ponderar os custos e quanto é que vale o nosso bem-estar e o futuro da nossa terra. O nosso bem-estar é importante, mas não deve prevalecer sobre o bem-estar do planeta.
Os últimos registos apontavam para 200 e pouco. No ativo, com situação regular perante a Ordem, temos 53. O nosso objetivo é captar as pessoas que se afastaram por algum motivo, que deixaram de ver na Ordem uma necessidade e uma mais-valia, captar essas pessoas, mostrar que sem elas nós somos fracos e com elas somos fortes.
Qual a marca que quer deixar neste seu primeiro mandato?
O nosso objetivo final é quando nós terminarmos o mandato termos mais membros registados na nossa Ordem, mais profissionais com o seu trabalho reconhecido pela Ordem. Nós pretendemos fazer mais ações formativas, workshops, fazer também formações na área da biodiversidade e conservação do ambiente. Queremos aproximar os membros, dar formação e também criar atividades onde seja possível a partilha de ideias entre pessoas de várias áreas, onde se possa também debater com outras Ordens determinados assuntos que são muito importantes para a sociedade civil e acima de tudo mostrar que a Ordem está ativa, que a Ordem é importante na sociedade e que o nosso trabalho é imprescindível para a sobrevivência da espécie humana e das outras espécies.
Está disposto a ir até onde para preservar o ambiente?
Vamo-nos debater com determinadas questões, eu acredito que algumas delas difíceis e vamos debater sobre os assuntos tendo sempre em consideração factos científicos e conhecimento especializado.
Já fez algum levantamento em relação a algumas situações críticas?
Não. Nós vamos começar a reunir este mês para começar a debater esses assuntos.
A mobilidade insere-se nesses assuntos a debater, tendo em conta o excesso de carros que circulam nas nossas estradas?
Sem dúvida, mesmo sabendo que não há soluções perfeitas. É a questão de encontrarmos o equilíbrio entre o ser humano e a natureza.
Um metro de superfície era uma solução viável?
Nunca pensei nessa ideia, mas acho que seria interessante até para a deslocação entre as pontas este e oeste da ilha, sendo que há muita população que trabalha no Funchal e que vive fora do Funchal. Agora, o impacto dessa construção ambiental é que tinha de ser bem estudado. Uma vez mais, é ponderar os custos e quanto é que vale o nosso bem-estar e o futuro da nossa terra. O nosso bem-estar é importante, mas não deve prevalecer sobre o bem-estar do planeta.

