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Ordem dos Biólogos alerta para riscos de uma eventual reorganização das competências em conservação da natureza

15 de outubro de 2025 por
Ordem dos Biólogos alerta para riscos de uma eventual reorganização das competências em conservação da natureza
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No ano em que se assinalam 50 anos da criação de um serviço público dedicado à conservação da natureza e da biodiversidade em Portugal, o Governo prepara-se, segundo notícias recentes, para reorganizar profundamente as competências nesta área, extinguindo o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e redistribuindo as suas funções por outras entidades.


A Ordem dos Biólogos considera que uma reorganização desta natureza seria profundamente preocupante, sobretudo no que diz respeito à gestão das áreas protegidas e à conservação da biodiversidade, pilares estratégicos de qualquer política ambiental. Num País com a dimensão de Portugal, regionalizar a gestão destas áreas pode significar a criação de “quintais” administrativos e políticos, comprometendo a coerência e a eficácia das políticas de conservação.


A Ordem dos Biólogos considera ainda que a integração do ICNF na Agência Portuguesa do Ambiente (APA), criando um novo “mega-organismo” com múltiplas funções, seria repetir uma receita de eficácia questionável. A experiência recente da AIMA — Agência para a Integração, Migrações e Asilo, resultante da fusão do SEF – Serviço de Estrangeiros e Fronteiras com o ACM – Alto-Comissariado para as Migrações, ilustra bem os riscos de estruturas demasiado abrangentes, que perdem eficácia e foco nas suas competências principais.


O ICNF desempenha funções com responsabilidades nacionais e compromissos internacionais muito específicos, que exigem autonomia técnica e capacidade especializada. A integração dessas competências numa entidade com missão já alargada fragilizaria inevitavelmente a proteção da natureza e a conservação da biodiversidade.


A Ordem dos Biólogos recorda ainda que o Governo e a Ministra do Ambiente e Energia estudam este assunto há cerca de um ano e que a opção agora em discussão será, muito provavelmente, a pior das soluções possíveis. Se, a curto prazo, esta solução pode parecer resolver um problema político ou administrativo, a médio e longo prazo terá custos ambientais, económicos e reputacionais incalculáveis para o País.


Por isso, a Ordem dos Biólogos apela ao bom senso e à responsabilidade política, sublinhando que qualquer reforma estrutural nesta área deve assentar em evidência científica, planeamento estratégico e participação dos especialistas e nunca em critérios de mera conveniência administrativa.

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