A Ordem dos Biólogos parabeniza a APA por ter levado até ao fim este processo e por submeter este documento a consulta publica.
Mas, não podemos deixar de registar a falta de ambição e os poucos recursos afetos a este dossier. No momento de uma enorme crise ambiental que coloca em risco a capacidade de sobrevivência do ser humano no planeta Terra - climática, com subida de temperatura e ocorrência de fenómenos climáticos extremos; de perda abrupta e inigualável de biodiversidade; uma pegada ecológica crescente e o uso de recursos naturais verdadeiramente insustentável; com riscos crescentes para a saúde pública - esperávamos uma Estratégia de Educação Ambiental para o horizonte 2030 que pudesse ajudar os cidadãos a capacitar-se para enfrentar esses desafios e ajudasse a responder aos compromissos nacionais em matéria de cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Na realidade, este documento é o prolongamento da ENEA anterior, sem inovação embora com ligeiras alterações, mas sem propostas que se preveja irão mobilizar e envolver os cidadãos e as instituições e empresas , sem rasgo e sem ambição.
Falta-lhe quantificar o que foi feito no passado, avaliar o trabalho real que acontece hoje um pouco por todo o país - das autarquias, às empresas, às ONGA, às universidades, às escolas e até a alguns organismos públicos. E falta-lhe pensar o país em 2030 e projetar o que de novo e melhor tem de ser feito neste novo ciclo de vida do ENEA. Mas é preciso afetar verbas concretas, recursos humanos (não dependentes de terceiros), assumir compromissos e zelar pelo seu cumprimento.
Continuar a falar em cooperação institucional e transversalidade de políticas públicas já não é suficiente em 2026! O que foi feito no passado? O que tem de ser melhorado no futuro? Que cooperação com a saúde na implementação da One Health? Como aproveitar a era do restauro de natureza e a implementação do Plano Nacional de Restauro? Como aproveitar projetos estruturantes como "Água que Une"? Como envolver o Min. Educação de forma comprometida, que envolvimento com a agricultura e a veterinária? Que compromisso com as ONGA? O que se propõem fazer diferente?
Do ponto de vista da Ordem dos Biólogos perdeu-se uma oportunidade. E não obstante o trabalho desenvolvido e as sessões publicas que promoveram pelo país, este documento não dá resposta a esses desafios. Precisamos de LITERACIA para o CLIMA, para a BIODIVERSIDADE, para a SUSTENTABILIDADE (do consumo, da energia, da pegada ecológica, dos recursos da Terra que não chegam para meio ano de consumo no modelo desenfreado atual). Precisamos de uma EA pensada para o país real e para a sua população em 2026, em contexto de incerteza e guerra. De uma ENEA que defina linhas estratégicas de atuação, com objetivos e metas mensuráveis. Com modelo de governança e monitorização.
O País precisa que APA, enquanto autoridade nacional, se comprometa neste processo, mobilize e afete recursos para que a EA seja efetiva e o ENEA cumpra o seu papel social.
O Conselho Diretivo da Ordem dos Biólogos