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Professor Mário Ruivo: velório, cerimónia e funeral

É com reiterada tristeza que informamos que o corpo do professor Mário Ruivo estará em câmara-ardente hoje, quarta-feira dia 25 de Janeiro, a partir das 17h30/18 horas, na Gare Marítima de Alcântara em Lisboa,  e que amanhã, quinta-feira dia 26 de Janeiro, será organizada pelo Centro Nacional de Cultura uma cerimónia no mesmo local, pelas 14 horas, onde usarão da palavra o Dr. Guilherme d’Oliveira Martins, o Professor João Guerreiro e o Professor Manuel Braga da Cruz. O funeral sairá do mesmo local e pelas 15 horas para o cemitério dos Prazeres.

Tributos a Mário Ruivo: um Biólogo e um Português de Exceção

Fotos de Mário Ruivo

Numa das últimas Assembleias Gerais da Ordem dos Biólogos quando me preparava para iniciar a minha intervenção tive a grata surpresa de, mais uma vez, ver entrar o nosso membro n.º 731, o Prof. Mário Ruivo que, com quase 90 anos, continuava a participar nos trabalhos dos biólogos e a querer informar-se sobre todos os temas em debate. No final, veio agradecer-me, disse-me que ia de coração cheio e explicou-me que estava naquela Assembleia Geral porque “gostava de se manter curioso”.

Este é um enorme ensinamento para qualquer jovem aspirante a cientista: manter a curiosidade, e manter-se solidário com os colegas.

Há cerca de 3 anos, na cerimónia de tomada de posse dos corpos sociais da OBio, tive a oportunidade de dizer publicamente que o Prof. Mário Ruivo é um dos exemplos do biólogo que eu gostaria de ser.

Com o seu desaparecimento o país fica mais pobre, os oceanos perdem uma importante voz na sua defesa, a sociedade perde uma voz esclarecida e didáctica e eu perco uma enorme referência pessoal.

A todos os familiares, colegas e amigos apresentamos as nossas condolências.

José Matos
(Bastonário da Ordem dos Biólogos)


O Professor Mário Ruivo formou-se em Biologia pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, 1950, especializou-se em Oceanografia Biológica e Gestão dos Recursos Vivos Marinhos (Universidade de Paris – Sorbonne, Laboratoire Arago: 1951-54).

Foi Diretor da Divisão dos Recursos e Ambiente Aquático da FAO (1961-74), tendo participado na Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente Humano (Estocolmo, 1972). Secretário da Comissão Oceanográfica Intergovernamental (COI) da UNESCO (1980-89) e Professor Catedrático Convidado da Universidade do Porto/ICBAS (Curso de Política e Gestão do Oceano). Foi Ministro dos Negócios Estrangeiros no V Governo Provisório.

Desempenhava  atualmente os cargos de Presidente do Conselho Científico das Ciências do Mar e do Ambiente da Fundação para a Ciência e a Tecnologia e Presidente do Comité Português para a COI/MNE, tendo sido eleito Vice-Presidente daquele organismo intergovernamental (COI/UNESCO), em 2003.

Foi membro da Comissão Estratégica dos Oceanos, criada na dependência do Primeiro-Ministro do XV Governo Constitucional. Era ainda o presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável desde 1997.

Mário Ruivo foi ainda agraciado pelo Estado português por diversas vezes pelos incontáveis e únicos serviços prestados ao país e à sociedade:

  • Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique de Portugal;
  • Grande-Oficial da Ordem do Mérito de Malta;
  • Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada de Portugal Grã-Cruz da Ordem do Mérito de Portugal.

Recentemente o atual Governo instituiu o Prémio Mário Ruivo – Gerações Oceânicas, destinado a galardoar  alunos em contexto escolar que se distingam na divulgação dos oceanos.

Esta é a biografia oficial mas, caras e caros colegas, há uma outra dimensão que tive oportunidade de partilhar com o meu amigo Mário Ruivo ao longo de mais de trinta anos.

Mário Ruivo foi antes de mais um combatente da liberdade e um antifascista ao lado do seu companheiro Mário Soares (de quem foi Ministro), tendo sofrido o exílio em Itália durante 14 anos onde participou ativamente no movimento político de resistência à ditadura.

Mário Ruivo, como recentemente afirmou, na cerimónia pública na Universidade do Algarve de atribuição do justíssimo título de Doutor Honoris Causa, sempre quis ser Biólogo. Fascinava-o a Vida e  a imensidão do Oceano. Das frotas dos bacalhoeiros onde investigou, aos mares profundos ele era, para muitos, o SENHOR MAR!

Tornou um marco histórico o Ano Internacional dos Oceanos, sendo a alma científica do Relatório “O Oceano Nosso Futuro”, promovido pela Comissão Mundial Independente dos Oceanos, presidida por Mário Soares e tornada pública na EXPO 98.

Mário Ruivo foi um enorme divulgador da Biologia e da causa dos Oceanos. Foi um militante da causa da biologia e desde a primeira hora, aceitou o meu convite para aderir à Associação Portuguesa de Biólogos, sendo membro do Conselho Nacional da OBIO.

Mário Ruivo viveu intensamente a vida e, nas Ciências da Vida, do ativismo cívico e político traçou a sua rota. Como ele diria, deixa-nos a “carta de navegação e a jangada a flutuar”. Não é coisa pouca o seu legado.

Dirão muitos que Mário Ruivo é insubstituível; não,  está noutra categoria, é irrepetível.

José Guerreiro
(Fundador da Associação Portuguesa de Biólogos, Ex- Bastonário da OBio e membro do seu Conselho Nacional)


Enquanto jovem estudante de biologia, dei conta de que havia um biólogo, português, que para além de escrever e falar sobre gestão de recursos marinhos, conservação, biodiversidade, mar, zona costeira e outras matérias, juntava outras áreas do conhecimento e da vida social de um modo profundamente inspirador. Tinha esse dom de saber juntar a cultura, o direito, a filosofia, a história, sociologia e tantos outros domínios, à biologia abrindo, de forma pioneira, as portas e os diálogos necessários para aquilo que hoje se designa por desenvolvimento sustentável, que, para ele, sempre foi uma “utopia útil”. O Professor Mário Ruivo surgiu assim como uma referência maior num horizonte distante, de mim e, mais tarde verifiquei, do país. Foi por isso surpreendente, à data, constatar a sua disponibilidade para ajudar o movimento sócio-profissional dos biólogos, quer na Associação Portuguesa de Biólogos quer na Ordem dos Biólogos, sendo decisiva a sua contribuição, discreta mas apropriada, onde e quando foi preciso.

As andanças da vida levaram-me a trabalhar de perto com o Professor Mário Ruivo, no Conselho Nacional do Ambiente, desde a sua fundação em 1998. Desde essa data, apenas duas palavras podem descrever essa vivência: admiração e assombro. Conhecimento, experiência, capacidade de diálogo, motivação, disponibilidade, inovação, tudo isto e muito mais numa só pessoa. Biólogo e cidadão com uma forma rara de ver o Mundo, inquieto mas avisado, informado e inconformado. Deu-me o privilégio de integrar o Conselho Nacional da OBio, as listas que liderei em dois mandatos enquanto Bastonário da Ordem dos Biólogos.

Uma referência maior da biologia e do país a quem muito devemos e certamente saberemos honrar.

Um muito obrigado por tudo o que fez pela biologia, pelos biólogos, pelo país e pelo ambiente e desenvolvimento sustentável. Até sempre Professor Mário Ruivo e guarde lá um lugar naquela nuvem de onde nos olha como sempre.

António Domingos Abreu
(Ex-Bastonário da OBio e membro do seu Conselho Nacional)

Convocatória: Assembleia Geral Eleitoral – 31 de Março de 2017

Eleições para os órgãos nacionais e regionais da Ordem dos Biólogos (OBio)

De acordo com os Artigos 23º a 30º do Estatuto da OBio, convoco os membros efectivos da Ordem dos Biólogos, com inscrição regular, para uma Assembleia Geral Eleitoral, a realizar no dia 31 de Março de 2017, entre as 13:30 e as 19:30 horas, no Continente e na Madeira, e entre as 12:30 e as 18:30 horas, nos Açores,  para eleger os órgãos nacionais e regionais da Ordem.

Lisboa, 16 de janeiro de 2017

O Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Ordem dos Biólogos
Maria Amélia Botelho de Paulo Martins Campos Loução

 

Documentação:

Participação de Falecimento

É com profundo pesar que damos notícia do falecimento no passado Sábado dia 21 de Janeiro, da nossa Colega e Amiga Ilda Santos Sanches.

Licenciada em Biologia pela Faculdade de Ciências de Lisboa (1976-1981) e Doutorada em Biologia Molecular pela Universidade Nova de Lisboa (1991), era Professora Associada do Departamento de Ciências da Vida, Investigadora do UCIBIO-REQUIMTE, Membro do Conselho de Faculdade e do Conselho Científico da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

Deixa-nos enquanto investigadora e docente uma obra relevante, sendo reconhecidas a sua perseverança, dedicação e grande simpatia.

fotografia de Ilda Santos Sanches

Colaborou com a OBio enquanto docente do Departamento de Ciências da Vida em inúmeras actividades práticas para docentes do ensino básico e secundário e para o treino do jovens estudantes selecionados para participar em Olimpíadas de Ciência Internacionais, também em colaboração com a Direção Geral de Educação.

À família, colegas e amigos, apresentamos as nossas condolências e imensa tristeza pelo seu prematuro desaparecimento, que nos deixa um vazio impossível de preencher.

A missa de corpo presente realiza-se amanhã, dia 24 de Janeiro às 10:30 na Igreja S. João de Deus, à Praça de Londres em Lisboa, seguida de funeral, estando o corpo em câmara ardente na capela mortuária da mesma igreja.

Mário Soares: Homenagem e Condolências

A Ordem dos Biólogos presta pública homenagem ao Presidente Mário Soares e expressa profundas condolências à família.

Mário Soares sempre acompanhou com genuíno interesse e atenção as Ciências Biológicas, tendo tido uma intervenção política determinante nas temáticas do Ambiente e do Mar.

Os Biólogos portugueses, através da Ordem, cuja criação aliás defendeu publicamente, exprimem sentido reconhecimento e  agradecimento.

Obrigado Mário Soares.

“Agradecimento a Mário Soares”

“Caras e caros colegas Biólogos,

Na hora da morte de Mário Soares é da mais elementar justiça que recorde o seu reconhecimento  e interesse pela Biologia e pelos biólogos. De Germano Sacarrão, seu professor no Colégio Moderno e amigo  (fundador e sócio Nº1 da Associação Portuguesa de Biólogos – APB) a Mário Ruivo, seu compagnon de route e parceiro de sempre nos assuntos do Mar com marca indelével na EXPO 98 e o Relatório “Oceanos – Nosso Futuro”, a que presidiu, Mário Soares sempre demonstrou um particular interesse pela Biologia, cultivando um círculo de amigos com os quais debatia e pensava sobre as Ciências da Vida, o Ambiente e Mar. Tal interesse foi crescendo ao longo da sua vida e, de alguma forma, ficou também marcada pela primeira “Presidência Aberta sobre Ambiente em 1994” na qual muitos de nós tiveram parte ativa e direta. Gostaria pois de recordar um momento decisivo em que Mário Soares, presidindo ao 2º Congresso Nacional de Biólogos, suportou e defendeu convictamente a ideia da criação de uma Ordem de Biólogos: foi a primeira vez que um político o fez e logo o mais alto magistrado da Nação.

II Congresso Nacional de Biólogos, Outubro de 1992 da esquerda para direita: José Guerreiro (Presidente da Associação Portuguesa de Biólogos, Mário Soares, Presidente da República, Leonardo Ribeiro de Almeida Presidente da Assembleia da República, Meira Soares, Reitor da Universidade de Lisboa.

II Congresso Nacional de Biólogos, Outubro de 1992

da esquerda para direita: José Guerreiro – Presidente da Associação Portuguesa de Biólogos, Mário Soares – Presidente da República, Leonardo Ribeiro de Almeida – Presidente da Assembleia da República, Meira Soares – Reitor da Universidade de Lisboa.

Tive a honra de, então enquanto presidente da APB, presidir a esse Congresso fundacional que reuniu mais de um milhar de participantes na Reitoria da Universidade de Lisboa (Outubro 1992) e manter posteriormente por várias vezes um contato próximo – sei muito bem que sem o seu apoio público não teríamos atingido o reconhecimento que a Biologia tem hoje – é hora de o recordar e tornar público.

Obrigado Mário Soares.

José Guerreiro

Fundador e ex-presidente da APB, Ex-Bastonário da OBio
Membro do Conselho Nacional da OBIO”

Prémio Ciência Viva/Montepio atribuído à Bióloga Ana Mafalda Lapa, professora da Escola Secundária da Cidadela – Cascais

A nossa colega Ana Mafalda Lapa – na foto com o bastonário da Ordem dos Biólogos (OBio), que se juntou aos muitos colegas presentes para celebrar esta distinção – foi galardoada com o prémio Mérito Cientifico – Educação, atribuído pelo Ciência Viva em parceria com o Montepio Geral em sessão realizada este Domingo, 28 de Novembro de 2016, no Auditório José Mariano Gago do Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. O prémio, no valor de 5 000 euros, distingue anualmente as individualidades que contribuíram de forma ímpar para o desenvolvimento da Ciência na Educação.

Ana Mafalda Lapa, prémio Ciência Viva Montepio 2016, ladeada por José Matos, Bastonário da OBio

Ana Mafalda Lapa, prémio Ciência Viva Montepio -Educação 2016, ladeada por José Matos, Bastonário da OBio

O júri justificou a atribuição do prémio à nossa colega Mafalda Lapa, professora da Escola Secundária da Cidadela, em Cascais, pelas suas iniciativas no domínio do ensino das Ciências, designadamente com o seu projecto GuIA – Gabinete de Integração do Aluno, (https://www.facebook.com/Guia-228455417292732), que promove a reflexão sobre as escolhas académicas e o desenvolvimento pessoal dos alunos, proporcionando ainda uma forte interação entre os estudantes e cientistas das suas áreas de eleição.

É a segunda vez consecutiva que o prémio é atribuído a um Biólogo, tendo no ano transato sido distinguido José Matos, investigador do INIAV e Bastonário da OBio, pelo seu projecto “Biogénius” que permitiu a centenas de escolas poderem realizar trabalhos práticos de Genética Molecular.

Assembleia-geral, 12 de Dezembro de 2016 – Convocatória

Convocatória

 

Em conformidade com o estatuto e Regulamentos em vigor, convoco os membros efetivos e graduados da Ordem dos Biólogos, com inscrição regularizada, para a Assembleia-geral, a ter lugar no dia 12 de Dezembro de 2016, com início pelas 17.00 horas, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Sala 2.2.14 (Edifício C2, Piso 2) (Campo Grande, 1749-016 Lisboa), com a seguinte Ordem de trabalhos:

  1. Aprovação da ata anterior
  2. Informações
  3. Ponto de situação do atual mandato
  4. Apresentação, discussão e votação da proposta de alteração do Regulamento Eleitoral
  5. Apresentação, discussão e votação de proposta de alteração de quotização

Não se encontrando o número legal de membros presentes à hora indicada, a Assembleia-Geral reunirá meia hora mais tarde com qualquer número de membros presentes.

Lisboa, 11 de Novembro de 2016
A Presidente da Mesa da Assembleia-geral,

 
Prof. Doutora Maria Amélia Martins-Loução